Alguma coisa acontece no meu coração

Por mais que eu corra o risco de parecer piegas ou sem criatividade, não achei frase melhor para servir de título ao texto, afinal, foi a primeira vez que estive em São Paulo por um espaço de tempo maior do que uma conexão de vôos, e acabou por ser inevitável ter na cabeça o refrão da música de Caetano Veloso.

A visita, a trabalho, foi curta e com apenas duas noites livres, diante da agenda apertada de reuniões. Numa das noites, eu consegui dar uma escapadela para uma volta com um casal de primos que moram por lá.

A prima, bem… sem querer despertar ciúmes em minha esposa (e ela há de concordar comigo), é uma pessoa super gente fina, bonita e de conversa agradável, sem contar que é policial, anda armada e ainda dá aulas de dança do ventre, quer algo mais interessante?

O marido dela, doravante denominado de primo, é o típico “Mano” paulista, mêu! Inteligente e malandrão, desencanado e com aquela fala típica de motoboy: “firrrmão, truta?”, ah, e é torcedor do “curíntia”, o que chega a ser perdoável diante de tantas outras qualidades. Brincadeiras à parte (menos quanto ao mau gosto futebolístico), nós nos identificamos bastante, e gosto dele “de graça”.

Combinamos de nos encontrar por volta das oito e meia, por conta dos engarrafamentos, coisa que já existe aqui em Pernambuco, e motivo pelo qual resolvemos deixar de fora da programação do city tour. Quando o tráfego começou a dar condições, saímos para fazer um programa típico de São Paulo: tomar um chopps num boteco da Vila Madalena.

No caminho, enquanto conversávamos sobre diversos assuntos, variando de felicidade e realização profissional a bebedeiras, ressacas e aquelas brincadeiras de trocar porrada com os amigos, algo que faz parte do DNA masculino desde os remotos tempos de Esparta, mas que as mulheres teimam em dizer que não conseguem entender, o primo foi me apresentando a alguns atrativos turísticos locais, como: andar em carro de luxo e blindado, apreciar um belíssimo céu cinzento, encolher-me todo com os finos que os motoboys/cachorros-loucos tiravam de nosso carro, pagar quase vinte reais por uma vaga de estacionamento no meio da rua e ouvir um garçom oferecendo macaxeira com o nome de “aipim frito”, coisa que eu só tinha visto na TV, em programas de culinária como o da Ana Maria Braga.

Peregrinamos um pouco até que conseguimos nos acomodar em um boteco com lugar disponível para sentar. A partir daí, a noite voou. Conversamos muito e sobre quase tudo, bebemos, rimos, fizemos planos para o futuro, contamos piadas e matamos as saudades depois de um longo tempo sem nos vermos. Nem nos demos conta de que as TVs mostravam um chatíssimo 0×0 entre Brasil e Argentina, em mais um daqueles jogos nos quais sentimos a falta do Dunga.

A verdade é que São Paulo, definitivamente, tem muito a oferecer e planejo voltar lá com a família, a passeio, com tempo disponível para curtir o lugar com mais calma, contudo, embora tenha sido uma visita relâmpago, não posso deixar de agradecer aos meus anfitriões que me proporcionaram, em uma única noite, uma overdose de bons momentos e que só fizeram reforçar as minhas teorias de que a felicidade está nas pequenas coisas, como sentar numa mesa com pessoas que amamos e rir da vida, por mais que ela possa parecer ingrata e difícil.

E por isso que comecei e termino o texto dizendo que “alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João…”.

Primaiada, obrigado por tudo, espero que nos vejamos novamente em breve.

Gus

Recife-PE, 16/09/11

3 Comentários

Arquivado em Crônicas do GUS

3 respostas para Alguma coisa acontece no meu coração

  1. Jaciara Araujo

    Que coisa boa lê suas crônicas! Pelo jeito o fato de viajar de deixa mais motivado a escrever. Tá bom de planejar outras viagens, pois quero continuar lendo seu blog. :)

    • Augusto Vilaça

      Acabei de ouvir uma boa: “o fato é que agora escrevo quando dá (vontade, inspiração, saco, ideias…) e não mais em escala industrial”, concordo, ehehehe…

      Mas prometo escrever algo sempre que possível.

      E quanto a escrever após viagens, quem sabe o Discovery Travel and Living não me contrata?

      Beijoca, e valeu a visita.

  2. Faz tempo que não apareço. De repente me lembrei e cheguei aqui na sua viagem a Sampa. Caetano conseguiu fazer uma música linda sobre S.Paulo falando a verdade. Só ele.
    Saudações cariocas

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s