Alguma coisa acontece no meu coração

Por mais que eu corra o risco de parecer piegas ou sem criatividade, não achei frase melhor para servir de título ao texto, afinal, foi a primeira vez que estive em São Paulo por um espaço de tempo maior do que uma conexão de vôos, e acabou por ser inevitável ter na cabeça o refrão da música de Caetano Veloso.

A visita, a trabalho, foi curta e com apenas duas noites livres, diante da agenda apertada de reuniões. Numa das noites, eu consegui dar uma escapadela para uma volta com um casal de primos que moram por lá.

A prima, bem… sem querer despertar ciúmes em minha esposa (e ela há de concordar comigo), é uma pessoa super gente fina, bonita e de conversa agradável, sem contar que é policial, anda armada e ainda dá aulas de dança do ventre, quer algo mais interessante? Continue lendo

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Esse frio que nos aquece

Dizem que os opostos se atraem, e olha… é a mais pura verdade.

Sou casado há 10 anos e nunca houve uma coisa em que eu e minha esposa discrepássemos mais do que o frio.

Eu sou do tipo calorento, e ela é exatamente o contrário.

Pra se ter uma ideia, enquanto ela dorme com pijama de flanela com mangas compridas, meias, protetor de orelhas, luvas de lã, 4 lençóis e um edredon importado do Alasca, eu prefiro dormir sem camisa e com o meu lençolzinho azul de estimação, que eu trouxe lá da casa de mainha, dos tempos em que era solteiro.

Certa vez fomos a Garanhuns para o Festival de Inverno que, para quem não conhece, são duas semanas de shows e espetáculos gratuitos, período de ocupação máxima de Hotéis, Pousadas e casas de conhecidos.

Na mais pura sorte, conseguimos alojamento de última hora, graças a uma desistência na reserva e, como era de se esperar, não tivemos escolha, ficamos no único quarto disponível. Bem, não era lá um 5 estrelas, mas não perderíamos a viagem.

Bolsas jogadas em cima da cama, era só tomar um banho, trocar de roupa e ir para a praça curtir um friozinho, tomar chocolate quente e acompanhar os shows. Continue lendo

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Olha o aviãozinho…

Quem pensava que a crônica desta semana seria sobre a Copa do Mundo e o fiasco de nossa seleção, “gorou o ovo*”… em primeiro lugar porque tenho certeza de que o assunto já está sendo mais do que esgotado por outras pessoas e eu correria o risco de cair na mesmice e escrever um texto batido e repetitivo, e, em segundo, pelo fato de que os Argentinos também foram eliminados na mesma fase e com um placar bem mais vergonhoso do que o nosso, assim não teremos que aguentar os “hermanos” capitaneados por Maradona cheios de si por terem conquistado a Copa do Mundo, o que não seria nada fácil.

Se não fosse o suficiente, por tabela ainda nós nos livramos do risco de vê-lo nu perambulando por Buenos Aires. Só fico com pena do Paraguai também ter caído fora, porque a nudez da Larissa Riquelme seria bem mais agradável aos olhos do que a do técnico argentino, que mais parece um cruzamento do Tatu da Ilha da Fantasia com um Che Guevara sem pescoço.

Mas vamos deixar a Copa pra lá, tenho coisas mais importantes com o que me preocupar no momento, e uma delas é aproveitar as férias escolares para mudar os hábitos alimentares de meus dois filhos pequenos. Continue lendo

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Um mundaréu de água

Não sou muito bom pra escrever textos sérios, mas o assunto de hoje não tem nada de engraçado: as enchentes do nordeste.

Mesmo com um destaque menor do que o problema representa, quem lê jornais e revistas, vê TV ou, pelo menos, conversa com alguém, já deve ter ouvido falar do que aconteceu na zona da mata entre os estados de Pernambuco e Alagoas, devido às chuvas que assolaram por aquelas bandas nos últimos dias.

Eu estive lá e, literalmente, enfiei o pé na lama. A situação é crítica, quase caótica. Lama, sujeira, destroços por todos os lados. É quase impossível passar por uma rua sem ter que desviar de sofás, colchões, armários, eletrodomésticos e restos de alimentos, tudo destruído, sujo, inservível, e com um mal cheiro, que começa a ficar insuportável. Continue lendo

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Pra frente Brasil!

O assunto da vez é a Copa do Mundo, não se fala mais de nada. Mesmo aqui em Pernambuco, um dos estados que, quando não sofre pela falta de chuvas, sofre com o excesso inesperado delas, como tem sido o caso nos últimos dias, a preocupação é uma só: “onde é que vamos assistir ao jogo da seleção?”.

Terca-feira passada, pra se ter ideia, o céu estava se desmanchando em água e ainda assim o povo lotava as arenas onde havia telões transmitindo o jogo ao vivo. Nem o temporal que caía foi capaz de convencer aquele mundarel de gente de que a partida havia terminado e de que era hora de voltar pra casa, antes que os carros, motos e ônibus que os levaram até ali precisassem ser trocados por canoas, barcos e jet-skis na hora de voltar.

E no trabalho então? Qual é o chefe que, em sã consciência, ao menos cogita segurar seus funcionários na empresa, nos horários de jogos da seleção, trabalhando (ou mesmo fingindo)? Lá no meu trabalho já está definido que, quando os jogos forem à tarde (15h30), o expediente será encerrado às 14h00. Quem quiser que ache correto, mas eu acho isso um absurdo! Uma perfeita demonstração de falta de compromisso… Pôxa! Todo mundo sabe que em dia de jogo da seleção o trânsito fica infernal, e saindo às duas da tarde, não dá para comprar a cerveja e ainda botar pra gelar a tempo para o espetáculo. Continue lendo

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Menino com brinquedo novo

Tô que só menino: alegre com o brinquedo novo. Agora, fácil não foi… enfrentei um debate doméstico mais longo e acalorado do que aquelas discussões de emendas à Constituição no Congresso Federal, mas eu estava decidido, perseverei e defendi meu argumento até ouvir um sonoro: “- Você já é bem grandinho, faça o que achar melhor, eu não vou me meter!”. Mesmo com aquelas palavras ecoando em meu ouvido ainda hoje, fui lá e comprei a moto.

 Eu juro que pensava que o pior já tinha passado, ledo engano. Cheguei a acreditar que o grande trabalho seria convencer lá em casa de que a moto seria a melhor e mais econômica opção para chegar ao trabalho no horário, mas isso foi apenas o primeiro passo, ainda faltava ser aprovado no cadastro do financiamento que, além dos usuais: “RG, CPF, comprovante de renda e residência”, pedia uma lista dos meus contatos no orkut, amigos bloqueados no MSN, atestado de vacina em dia, os cinquenta últimos tíquetes de estacionamento do shopping e mais dois quilos de alimentos não-perecíveis.

Mesmo apresentando tudo isso e contando com o nome limpo na praça, a primeira financeira reprovou o crédito alegando que eu não tinha telefone fixo instalado em meu nome, dá pra acreditar? Gente, eu quero a moto para passear e me deslocar, principalmente, de casa para o trabalho, não pra montar uma firma de entrega. Continue lendo

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Alguém segure esse avião

É como eu costumo dizer: se as coisas fossem fáceis em minha vida, não teria a menor graça, por outro lado, eu também não teria tanto assunto para escrever. Pois bem, dessa vez caso foi o casamento do meu primo, aquele que só toma Guaraná Antarctica.

Se o fato de ser meu primo casando não fosse suficiente, a doravante esposa também é minha prima (e dele, diga-se de passagem), além disso convidaram a minha filha para ser dama de honra, e a mim e a minha esposa para sermos padrinhos. Como vocês podem ver, não havia a menor chance de eu arrumar uma desculpa que colasse para não ir, já que o casamento seria em São Luiz do Maranhão, distante 1573 km do Recife.

A viagem era um gasto totalmente imprevisto, mas seria uma chance ímpar de revermos os parentes que moram longe, de nos empanturrarmos de comer caranguejo, e de matarmos as saudades do Guaraná Jesus, que só tem por aquelas bandas. Compramos as passagens, reservamos hotel e decretamos moratória em algumas contas pendentes para podermos ter algum dinheiro e cobrir os gastos por lá. Continue lendo

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Maldita virose

Ai, ai, ai! Dói tudo: a cabeça, o corpo e, pra completar, ainda tem aquela disenteria básica. É a típica situação em que tudo é ruim e nada presta, não dá vontade de fazer coisa alguma e a cabeça lateja mais do que o couro de um tambor do Olodum. O diagnóstico não poderia ser mais simples: Virose. Nem me lembrava de que essa desgraçada existia, mas foi só pisar de volta no Brasil e uma delas já me fez de vítima.

Pois é, desde ontem à noite que estou assim, e sei que nem adianta ir a hospitais e emergências, já que vou ouvir o mesmo blá-blá-blá de sempre: “é virose. Tá assolando por aí… repouse, tome paracetamol se tiver dor ou febre e beba bastante líquido”.

Nos últimos tempos, a gente só pega virose. Foi-se a época em que visitávamos um médico e saíamos de lá com uma parotidide, um amebíase, uma enxaqueca, uma artrite reumatóide, ou uma infecção por morbilivírus para tratar. Agora, não! Toda e qualquer doencinha é uma “virose”… Não sei como é que um doutor em medicina perde anos de sua vida, matando-se de estudar, decorando nomes estrambólicos e bulas de remédios, para olhar a cara de doente do seu paciente por poucos segundos e fazer uma declaração solene e lacônica como esta: “é só uma virose!”. Francamente… Continue lendo

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O bom filho à casa torna

É aquela velha história: “o bom filho à casa torna” e, depois de 371 dias distante de casa, finalmente, voltei.

Muita gente pode dizer que um ano (e seis dias) passa rápido, mas pergunta lá em casa pra ver… A coisa pareceu uma eternidade. Não é fácil se aventurar sozinho em um país distante, recém-saído de um período de conflitos, com uma infraestrutura pra lá de precária e tão longe que, como já contei anteriormente, devido às 12 horas de diferença no fuso horário, fazia com que eu estivesse dormindo enquanto vocês almoçavam, e vice-versa.

Mas, como disse o Júlio César, que não é o goleiro da seleção do Dunga: “vim, vi e venci”, e, se não venci, ao menos empatei. O importante é que tenho a consciência de que dei o meu melhor e escrevi o meu nome na história de um país em reconstrução.

A experiência em si foi fantástica. Tive a oportunidade de conhecer pessoas de várias partes do mundo, suas línguas, diferentes culturas e costumes, religiões, crenças, vestuário, comidas e muitas outras coisas que, quando muito, eu via apenas no cinema. Continue lendo

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Eu tô voltando pra casa…

Pois é, um ano passou como um raio. Nem parece que já estou há quase 365 dias longe de casa. A aventura chegou ao fim, como disse Júlio César (que não é o goleiro): “vim, vi e venci”, se não, ao menos empatei. O fato é que fiz o meu melhor e espero ter contribuído para o crescimento desta jovem nação que é o Timor Leste.

Bom, agora é hora de empacotar tudo e voltar pra casa, onde também sou útil e esperado, sendo assim, e dada a proximidade da viagem (saio daqui no dia 8 de maio e chego ao Recife na madrugada do dia 10, não avisem aos paparazzi, por favor!), tenho que correr com as coisas e não vou ter tempo de escrever um texto digno de vocês, leitores. Portanto, e para não quebrar a rotina de um post novo toda segunda-feira, estou publicando uma crônica de um conterrâneo pernambucano cujos textos eu gosto bastante, espero que vocês também.

A todos, um grande abraço e até a próxima segunda, já falando diretamente do Brasil.

Do Timor (ainda), com carinho,

Gus.

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